Um continho de Natal

Um continho de Natal
06/08/2017 Paulo Otávio Barreiros Gravina

Um continho de Natal

– Obrigado a Sonia Rosa

Nathália, todos os dias, olhava da janela do seu quarto os meninos andando de skate no play. Alguns eram maiores, porém havia aqueles que deviam ter a idade dela. Impressionada por essa visão, ela decidiu desde cedo o seu presente de Natal e, quando a mãe, ainda antes que começasse dezembro, veio perguntá-la, ela respondeu sem nem pensar: “eu quero um skate”. Isso, normalmente, causaria uma reação exagerada e foi até uma surpresa infeliz quando a mãe simplesmente não deu muita bola. É claro que a mãe só viu problemas, era perigoso e muito masculino, um brinquedo de menino; mas estava cedo e era quase certo que, chegando mais perto do Natal, a menina iria mudar de ideia pelo menos umas dez vezes. Em dezembro começaram as conversas sobre os presentes e Nathália insistiu no skate porque estava decidida, no entanto, as conversas logo viraram impasses do tipo que ela já estava bem acostumada a ver. Os impasses viraram brigas, o clima na casa foi ficando aborrecido e, assim, a menina decidiu ficar bem quietinha e não voltar mais ao skate, pelo menos não para os pais. Teve uma noite em que a briga foi mais alta e ela ficou triste porque ouviu o pai chamar o seu presente de “maldito skate” e ela prometeu ao papai Noel em troca do skate jamais brigar daquele jeito com ninguém, nem com a Silvinha da creche. Quando a mãe veio dar o beijo de boa noite daquela vez, veio desacompanhada do pai, e Nathália aproveitou para falar: “eu posso mandar uma carta para o papai Noel…”, meio em tom de pergunta, com medo de que a mãe ainda estivesse invocada. Nos dias que se seguiram, ela percebeu que os ânimos se acalmaram e os corações se enterneceram, assim, começou a crescer a esperança do presente. Ela viu uma caixa bem grande colocada na árvore exatamente na véspera do Natal, mas não parecia muito um skate. Nathália ficou cismada porque podia não ser um skate; será que era? Ela chegou a imaginar um presente até maior e melhor do que pensara, mas não, estava decidida pelo skate. Os pais vieram acordá-la no Natal, levaram-na de mãos dadas até a árvore e ficaram colados um do lado do outro enquanto ela abria a caixa. Nathália abriu tudo com pressa e retirou com ansiedade todos os papéis lá de dentro. Debaixo dos embrulhos havia um skate escondido. Ela olhou para aquilo, cheia de alegria e espanto, e disse:
― Pronto! Agora só falta o meu irmãozinho!

(11/12/2013)

Por: Paulo Otávio Barreiros Gravina
Para: Site Me@rt

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